Das possibilidades da formaçÃo profissional a distância: um estudo na perspectiva da teoria da atividade


Download 129.39 Kb.
Pdf ko'rish
Sana16.07.2017
Hajmi129.39 Kb.
#11407

DAS   POSSIBILIDADES   DA   FORMAÇÃO   PROFISSIONAL   A 

DISTÂNCIA:   UM   ESTUDO   NA   PERSPECTIVA   DA   TEORIA   DA 

ATIVIDADE

Taís  Fim Alberti (Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS) 

 Sérgio R. Kieling Franco (Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS)

Esse artigo tem por objetivo apresentar as primeiras reflexões em torno de uma pesquisa que 

busca investigar as atividades de estudo e as ações que constituem e potencializam o processo 

de ensino-aprendizagem na Educação a Distância (EAD). Para tal, é preciso compreender a 

formação   dos  processos   psicológicos   através   da   análise   da   atividade   mediada   por 

instrumentos e signos, ou seja, analisar os sujeitos em atividade. Para que a atividade de 

estudo seja considerada como desenvolvimental é preciso determinar o motivo, ou seja, um 

objeto que é um motivo real que lhe determine uma direção e mais além do objeto está a 

necessidade. Ao considerar as atividades desenvolvidas na EAD, precisamos determinar os 

elementos   constituintes   da   atividade:   a   necessidade   e   o   objeto/motivo   que   constituem   o 

primeiro nível e, a ação e objetivo que formam o segundo nível.  Nessa perspectiva, o enfoque 

desta   análise   é   descrever   e   explicar   o   processo   de   ensino-aprendizagem   em   um   curso   a 

distância,   identificando   as   situações   de   estudo   realizadas   que   tem   a   potencialidade   de 

desencadear motivos para o desenvolvimento de novas atividades profissionais. 



Palavras-chave:  Educação   a   Distância,   Teoria   da   Atividade,   Formação   Profissional   de 

Professores



INTRODUÇÃO

A  proposta   para   implementar   a   Educação   a   Distância   (EAD),   surge   como   uma 

iniciativa de abrangência ao acesso ao ensino superior para que um número considerável de 

alunos   em   busca   de   formação,   seja   ela   inicial   ou   continuada   tenham   essa   oportunidade. 

Assim, essas iniciativas proporcionarão que milhares de pessoas, que antes não tinham acesso 

à escolaridade, possam ter, agora mediados por tecnologias.

A   educação   a   distância   especialmente,   através   de   Ambientes   Virtuais   de   Ensino-

Aprendizagem (AVEA) está transformando o espaço escolar e proporcionando um acesso a 

formação  cada  vez mais  abrangente.  No entanto,  não podemos  pensar apenas  em termos 

quantitativos sobre essa nova modalidade de ensino, nem continuar a fazer as mesmas coisas, 

acreditando que estamos inovando. Pois, inovar não é só trocar o quadro verde pela tela do 

computador. A tecnologia por si só não garante essas inovações.  Sabemos que a EAD é uma 

realidade e vem sendo difundida cada vez mais. Como ela pode ajudar nesse processo de 

transformações tanto do sujeito como do mundo em que ele está inserido?

 A Teoria da Atividade é uma perspectiva teórica que destaca o ensino e a educação 

como os principais constituintes do desenvolvimento psíquico dos alunos; nelas se expressam 

as colaborações entre professores e alunos orientadas para que eles se apropriem das riquezas 

da cultura material e espiritual elaboradas pela humanidade. 

Pesquisar a atividade de estudo a distância requer a análise de sua estrutura e das 

relações  entre  seus componentes, requer descobrir qual é o motivo  que leva os  alunos  a 

realizar   a  atividade   mediada  por  tecnologias   e  quais  são  as  condições   para  tal.  Segundo 

Leontiev (1978b), discriminar quais são as unidades constitutivas da atividade e que função 

estão desempenhando é de fundamental importância para a pesquisa e estudo do psiquismo. 

Considerando que as atividades escolares são constitutivas do desenvolvimento psíquico e 

intelectual, esse trabalho tem como objetivo identificar quais atividades de estudo tornam-se 

mais eficazes nas atividades escolares mediadas por tecnologias, buscando compreender o que 

motiva   (potencializa)   a   atividade   discente   e   qual   é   o   sentido   atribuído   a   essa   atividade, 

identificando se ela gera mudanças na sua prática pedagógica.

2


TEORIA DA ATIVIDADE E SUA ESTRUTURA

Na concepção histórico-cultural, a atividade é um conceito explicativo do processo de 

mediação. A atividade mediatiza a relação entre sujeito e a realidade objetiva. O ser humano 

não reage mecanicamente aos estímulos do meio mas sim, pela sua atividade, em contato com 

os objetos e fenômenos do meio em que está inserido. Assim age sobre eles, transforma-os e 

transforma a si mesmo. A atividade possibilita a relação do homem com a sociedade, relação 

esta que apresenta a espiral dialética e que vai do interno ao externo a partir do surgimento da 

imagem, que passaria  ser convertida em imagem ideal (GOLDER, 2004). 

Leontiev   (1978b),   ao   falar   da   atividade,   coloca   que   estamos   simultaneamente, 

envolvidos em torno de várias atividades principais às quais as outras são subordinadas. No 

entanto, como se expressa psicologicamente esta subordinação, esta hierarquia de atividades? 

O autor coloca que para considerar uma atividade como desenvolvimental a atividade está 

envolvida em um processo que é eliciado e dirigido por um motivo.  Ou seja, para haver uma 

atividade   precisa   existir   uma   relação   entre   motivos.   Leontiev   coloca   que   na   psicologia 

contemporânea,  o termo  "motivo"  (motivação,  fatores  motivadores)  pode dizer respeito a 

fenômenos   completamente   diferentes.   Porém,   não   são   esses   diferentes   fenômenos   que   o 

interessam e sim, entender às relações entre motivos e necessidades pois, a necessidade real é 

sempre uma necessidade de alguma coisa.

Portanto,   quando   surgem   novos   motivos   (ou   quando   uma   ação   transforma-se   em 

atividade), cria-se uma nova atividade, chamada de atividade dominante. A atividade é um 

sistema coletivo derivado de um objeto e de um motivo. No entanto,  até o momento de sua 

primeira satisfação, a necessidade “não conhece” seu objeto; ele ainda precisa ser revelado. 

“Só como resultado dessa revelação, é que a necessidade adquire sua objetividade e o objeto 

percebido (representado, imaginado) vem a adquirir sua atividade provocativa e diretiva como 

função, isto é, torna-se um motivo” (LEONTIEV, 1978b, p. 14). O que impulsiona a direção 

da atividade é o motivo.

Mas o que leva o sujeito a passar de uma atividade a uma outra atividade dominante? 

Para responder essa questão, Leontiev (1978a) coloca que é preciso definir dois conceitos 

para entender essa passagem. Os conceitos de atividade e ação. Segundo ele:

Nem todo o processo é uma atividade. Nós designamos apenas por este termo os 

processos que, realizando tal ou tal relação do homem com o mundo, respondem a 

uma necessidade particular que lhes é própria. Assim, os processos de memorização 

3


não   são,   propriamente   falando,   uma   atividade,   pois   não   realizam,   regra   geral, 

qualquer relação autônoma com o mundo e não respondem a qualquer exigência 

particular (p. 296)

 

Dessa   forma,   por   atividade,   designamos   “os   processos   que   são   psicologicamente 



caracterizados pelo fato daquilo para que tendem no seu conjunto (o seu objeto) coincidir 

sempre com o elemento objetivo que incita o sujeito a uma dada atividade, isto é, com o 

motivo”   (ibidem)   A   decomposição   de   uma   ação   supõe   que   o   “sujeito   que   age   tem   a 

possibilidade de refletir psiquicamente a relação que existe entre o motivo objetivo da ação e 

o seu objeto. Se não a ação é impossível, é vazia de sentido para o sujeito” (1978a, p. 79). 

Com a ação (que é entendida como a unidade principal da atividade humana), surge assim a 

“unidade” fundamental, social por natureza, do psiquismo humano, o sentido racional para o 

ser humano daquilo para que a sua atividade se orienta. Nessa relação o sujeito precisa ter 

presente a ligação que existe entre o objeto de uma ação (seu fim) e o gerador da atividade (o 

seu motivo).

Assim, a atividade é distinta daquilo designado por ação. Segundo Leontiev, (1978a), 

“uma ação é um processo cujo motivo não coincide com o seu objeto (isto é, com aquilo que 

visa), pois pertence à atividade em que entra a ação considerada” (p. 297-298). Essa ação está 

ligada a certa necessidade. É a carência de algo que experimenta o sujeito. A necessidade 

provoca sua tendência a busca, motiva o sujeito a agir por meio de diferentes ações, quer no 

plano material, quer no plano ideal, utilizando-se de vários instrumentos que são estratégias 

de   ação,   operacionalizando-as   através   da   manipulação   de   instrumentos   para   satisfazer   a 

necessidade inicial. Na realização de uma determinada ação, é possível desencadear outras 

ações em seu processo. 

As   condições   objetivas   de   realização   da   atividade   vão   determinar   quais   são   os 

instrumentos   a   serem   utilizados,   bem   como,   as   operações   que   o   sujeito   realizará   nesse 

processo de objetivação de um resultado ideal. O conceito de atividade de Leontiev (1978b), 

requer   que   sejam   realizadas   ações   e   operações   direcionadas   a   um   fim   as   quais   visam   a 

produção de instrumentos que possibilitam, estabelecer relação entre motivo e objetivo da 

atividade em si. Assim, Leontiev sugeriu o seguinte desdobramento da atividade:  atividade 

corresponde a um motivoação corresponde a um objetivo e operação depende das condições 

para sua realização. Apesar de diferentes, eles estão em constante movimento, dependendo de 

como se constitui, na atividade, o motivo que a direciona.

4


Portanto, os elementos estruturais da atividade são: atividade-ação-operação e suas 

correlativas são  motivo-objetivo-condição.  A unidade central da análise da sua teoria é a 

atividade. E esta subentende três  dimensões: motivos-fins, ações-procedimentos e objetos, 

meios e fins. Assim, a realização de uma atividade envolve: sujeito, objeto e ferramentas. 

estrutura atividade-ação-operação não é estanque. A ação pode transformar-se em atividade, 

ou seja, uma ação que em principio era realizada apenas como parte de uma atividade passa a 

ter para o sujeito um motivo em si. Assim, segundo Sforni (2003) essa idéia de movimento é 

uma grande contribuição para o ensino pois, é um movimento contínuo de desenvolvimento 

do sujeito.

 Então, nos perguntamos: Que espécies de situações de estudo realizadas num curso a 

distância  têm a potencialidade  de desencadear  motivos  para o desenvolvimento  de novas 

atividades   de   estudo   e   profissionais?   Que   atividades-ações-operações   constituem   e 

potencializam o processo de ensino-aprendizagem na EAD?

FORMAÇÃO PROFISSIONAL A DISTÂNCIA: CONSTRUINDO POSSIBILIDADES 

ATRAVÉS DE ATIVIDADES DE ESTUDO

Na busca da compreensão da atividade de estudo que envolve os sujeitos no processo 

de ensino-aprendizagem mediado por tecnologias e tendo como referencial teórico a Teoria da 

Atividade, alguns elementos tornam-se fundamentais na organização da atividade de ensino-

aprendizagem. Podemos citar a necessidade, os motivos, a atividade, as ações, operações e as 

condições ou instrumentos para que esse processo se viabilize. A partir desses elementos, 

Leontiev (1978b) propõe uma estrutura geral para atividade e aponta que essa estrutura é a 

mesma tanto na atividade interna quanto na atividade prática externa. 

Davidov  (1988) que  também   trata  do  conceito   de  atividade,   mais   especificamente 

atividades   de  estudo,  coloca  que,   o  termo  “atividade  de   estudo”  indica  um   dos  tipos   de 

atividade reprodutiva crítica dos alunos e não quer dizer que seja a única maneira de aprender, 

pois se aprende nas formas mais diversas de atividades. No entanto, o que diferencia uma 

atividade de estudo de outras atividades é que a mesma tem um conteúdo e uma estrutura 

especial,  ou seja, ela necessariamente  exige um planejamento  definido com finalidades  a 

serem alcançadas. Nessa perspectiva, a atividade de estudo precisa ser diretiva e a principal 

nas atividades dos alunos para que, a partir da realização das atividades escolares, os alunos 

5


desenvolvem a capacidade de organização para outras. Resumindo e unindo as concepções de 

cada autor,  consideramos que, a  aprendizagem escolar além de promover a aquisição dos 

conteúdos   ou   habilidades   específicas,   consiste   também   numa   via   de   desenvolvimento 

psíquico. Para Davidov, esse desenvolvimento é promovido através das atividades de estudo. 

Atividade de estudo é um conjunto de ações (finalidade) e operações (práticas e intelectuais) 

que levam a formação do pensamento teórico, assentado na reflexão, análise e planejamento 

mental.   Sobre   sua   base   surgem   nos   escolares   as   necessidades   e   motivos   de   estudo.  Isso 

significa   dizer,   que   os   conteúdos   da   atividade   de   estudo   são   os   conhecimentos   teóricos. 

(DAVIDOV, 1988).

Para Libâneo (2004), um dos requisitos de um programa de formação de professores é 

a motivação dos alunos, considerando-se a estrutura da atividade nesse nível de formação, em 

que se combina a atividade profissional e a atividade de estudo. Sendo que, a base do ensino 

desenvolvimental é a estrutura   psicológica da atividade, na qual são criadas tarefas para 

melhor   promover   a   aprendizagem,   será   importante   estabelecer   as   características   entre   as 

atividades de estudo e as profissionais dos professores-alunos.

A teoria da atividade traz contribuições para a configuração de elementos necessários 

à atividade profissional dos professores tendo como base a atividade de aprendizagem pois, o 

tornar-se professor é uma atividade de aprendizagem e, para isso, são requeridas capacidades 

e habilidades específicas. “A atividade de aprendizagem estaria ligada aos fazeres que seriam 

o suporte do desenvolvimento do pensamento teórico” (LIBÂNEO, 2004, p. 137). O professor 

aprende o saber fazer em atividades que satisfazem a necessidade. Leontiev (1978a) mostra 

que tanto a atividade profissional quanto a atividade cognitiva implicam o desenvolvimento 

de ações e operações específicas. Isso nos remete a compreender a atividade docente sendo 

construída   e   fazendo   parte   das   atividades   de   estudo.     A   forma   como   as   ações   serão 

desenvolvidas durante a formação vão inspirar um sentido na atuação (LIBÂNEO, 2004).  

Sentido, é compreendido por Leontiev (1978a) como sendo “uma relação que se cria 

na vida, na atividade do sujeito” (p. 97). É o sentido que faz a   relação do motivo ao fim. 

Desta forma, certos motivos que induzem a atividade também lhe dão sentido pessoal. A 

estes, Leontiev chama de motivos formadores de sentido. O sentido pessoal é  criado pelas 

relações  objetivas, refletidas na consciência humana, entre o que motiva a atividade e os 

resultados da ação (ASBAHAR, 2005). Ou, segundo Leontiev (1978b), o sentido expressa a 

relação do motivo da atividade e o objetivo direto da ação. 

6


Além do sentido pessoal, a atividade pedagógica também tem um significado social. 

Para Bernardes (2006, p. 12) “a significação social da atividade pedagógica realizada pelo 

professor é proporcionar condições de ensino que possibilitem aos alunos se engajarem em 

atividade de aprendizagem, garantindo aos mesmos a apropriação do conhecimento teórico”.

Quando não ocorre essa correspondência entre o significado social e o sentido pessoal 

das ações pedagógicas, a mesma pode assumir-se como uma atividade  de sentido mecânica e 

sem   características   desenvolvimentais,   ou   seja,   tornam-se   operações   automatizadas 

(ASBAHAR, 2005). Ou ainda, de acordo com Bernardes (2006, p. 13), “um conjunto de 

ações que visam a ocupação do tempo designado ao processo de ensino-aprendizagem” e 

portanto, essas ações não se concretizam em atividades de estudo desenvolvimentais. Para 

Davidov   (1988)   nem   ações   mecânicas   nem   ações   de   memorização   se   configuram   em 

atividades de estudo.

A sistematização das atividades de estudo propostas por Davidov (1988) compreende 

a conexão entre a atividade de ensino do professor e a atividade de aprendizagem do aluno, 

para que as ações que envolvem ambos propicie a aquisição de conhecimentos teóricos (ou o 

desenvolvimento do pensamento teórico) levando assim ao desenvolvimento psicointelectual 

dos alunos. Portanto, a formação de professores em nível superior mediados por tecnologias 

deverá ser compreendido como  desenvolvimento psicointelectual e, é essencial para fazer a 

diferença na outra ponta, onde esses professores alunos vão atuar promovendo atividades de 

estudo que desenvolva seus alunos nesse mesmo sentido. Além de criar essas condições para 

que   o   aluno   se   aproprie   dos   conhecimentos   teóricos   e   de   proporcionar   situações   que 

promovam o desenvolvimento psíquico, cabe também uma formação critica do aluno para que 

o mesmo sujeito se desenvolva participativo-ativo-critico e constitua-se como tal na atividade 

de ensino-aprendizagem, sendo dessa forma desenvolvimental (ASBAHAR, 2005). 

Para que não sejam desenvolvidas atividades vazias e sem sentido Davidov (1988) 

argumenta que é necessário criar condições para assegurar o significado pessoal. Segundo ele: 

“É necessário   averiguar  e  criar  condições  que  permitirão   a atividade   adquirir  significado 

pessoal, a se tornar uma fonte de auto-desenvolvimento da pessoa, e do desenvolvimento 

compreensivo   da   sua   personalidade,   é   uma   condição   para   sua   entrada   na   prática   social” 

(DAVIDOV e MARKOVA apud RENSHAW, 1999, p. 43). 

Cunha (1999) coloca que  a ação de ensino não pode se isolar do espaço/tempo onde 

se realiza pois, está ligada de maneira intensa a determinações que gravitam em torno dela. 

7


Dessa forma, o professor não representa mais o tradicional transmissor de informações e 

conhecimentos,   ação,   segundo   a   autora,   quase   em   extinção   em   função   da   revolução 

tecnológica. Assume, portanto “uma nova profissionalidade de caráter interpretativo, sendo 

uma ponte entre o conhecimento sistematizado, os saberes da prática profissional e a cultura 

onde acontece o ato educativo, incluindo as estruturas sócio-cognitivas do aluno” (p. 218 e 

219). Para essa autora “é preciso recuperar no professor a dimensão do desejo, a firmeza de 

que seu trabalho vale a pena, que é preciso mudar” (p. 219). Como transformar esse professor 

através da formação em um curso superior de pedagogia a distância?

O reconfiguração do trabalho docente requer uma simbiose entre o contingente que 

produz a ciência e cultiva  erudição e os que interagem na interpretação do conhecimento já 

produzido, acrescendo essas duas vertentes de outras habilidades/conhecimentos/saberes que 

provoquem no estudante o protagonismo de seu próprio saber (CUNHA, 1999).

Nesse sentido, a autora traz como referência da profissionalidade a fala de Sacristán 

(1993, p. 54) que trata-a como “a expressão da especificidade da atuação dos professores na 

prática, isto é, o conjunto de atuações, destrezas, conhecimentos, atitudes e valores ligados a 

elas que constituem o específico de ser professor”. Portanto, o exercício da docência nunca é 

estático e permanente, é sempre processo, é mudança, é movimento, é arte; são novas caras, 

novas   experiências,   novo   contexto,   novo   tempo,   novo   lugar,   novas   informações,   novos 

sentimentos, novas interações (CUNHA, p. 216).  Isso significa que a prática docente está 

sempre   em   movimento   e   nos   desafiando   e   criar   estratégias   de   ensino-aprendizagem   em 

situações muitas vezes inusitadas.

Para   Guerrero   (1996,   p.   173)   “o   ensino   em   nosso   presente   sistema   educativo   se 

estratifica em dois tipos de organizações ocupacionais: a universidade que se organiza e se 

constitui   como   uma   profissão   científica   e   erudita,   que   produz   e   aplica   seu   próprio 

conhecimento;  e  o ensino  básico  e  secundário  que  se organiza   e  se constitui   como   uma 

profissão prática, que aplica na prática esse conhecimento convenientemente contextualizado 

por instâncias políticas e sociais.   Dessa forma, cabe ressaltar uma passagem de Bernardes 

(2006, p. 112) sobre esse devir professor:

Concebe-se   portanto,   que,   além   dos   conhecimentos   que   o   educador   deva   ter 

apropriado a cerca dos fundamentos teóricos metodológicos que definem as ações os 

quais   proporcionam   transformações   no   psiquismo   dos   estudantes,   e   além   dos 

conhecimentos que necessariamente precisa ter para ensinar os conteúdos escolares, 

o  educador também se forme no movimento de organização do ensino.

 

8



O educador transforma-se, modifica-se, em virtude da necessidade de definir ações e 

operações na atividade pedagógica que possibilitem a concretização da aprendizagem por 

parte de seus alunos. É por tudo isso que o  exercício da docência está sempre em movimento. 

E o professor-aluno do curso de pedagogia que transita entre a universidade (atividades de 

estudo) e a escola de ensino básico (atividade profissional) como expressa a sua atuação?   

Análises e Resultados

O trabalho de pesquisa está sendo realizado com alunos do curso de licenciatura em 

pedagogia a distância, que estão atuando em sala de aula, mas que ainda não tinham formação 

de nível superior. Realizamos entrevista semi-estruturada com 15 (quinze) professores-alunos 

desse curso, acessamos  o Ambiente  Virtual de Ensino-Aprendizagem  para conhecer cada 

disciplina  trabalhada e também para nos familiarizarmos  com as situações de estudo que 

foram propostas no decorrer da formação. Com isso, pretendemos classificar as atividades de 

estudo procurando características comuns ou mesmo diferenciadoras das tarefas de estudo 

propostas pelo curso que indiquem a potencialidade das mesmas serem vivenciadas pelos 

alunos   como   atividades   de   estudo,   ou   seja,     atividades   que   geram   uma   aprendizagem 

desenvolvimental.

  Solicitamos   aos   professores-alunos   que  nomeassem   pelo   menos   três   situações   de 

estudo   vivenciadas   no   curso   que   geraram   algum   tipo   de   consequência   em   sua   prática 

pedagógica. A partir de suas descrições, estamos elencando os motivos, objetivos e condições 

de cada situação de estudo citada e estabelecendo as relações com a teoria da atividade para 

dizer se a mesma se constitui em uma atividade de estudo desenvolvimental, ou seja, se o 

resultado   final   gerou   não   apenas     aquisição   dos   conhecimentos   teóricos   mas,   uma 

transformação   do   próprio   sujeito   atuante.  Nossa   hipótese   é   de   que   a   aquisição   dos 

conhecimentos   teóricos   referentes   a   formação   do   professor,   deem   subsídio   a   ele   para 

desencadear   ações   inovadoras   em   torno   do   processo   de   ensino-aprendizagem   pois,   as 

atividades de estudo desenvolvem as capacidades surgidas historicamente que estão na base 

da consciência e do pensamento teórico, ou seja, a reflexão, a análise e o experimento mental. 

Se essas questões se configurarem, podemos  dizer que existe desenvolvimento psíquico e 

intelectual. Para esse trabalho, traremos duas situações de estudo em que foi possível verificar 

uma atividade de estudo desenvolvimental.

9


Situação de estudo 1:

Situação de Estudo realizada no curso de Graduação a Distância – elaborar um planejamento de aula

Necessidade: professor do curso cobrou um planejamento de uma aula. A necessidade foi gerada de uma 

atividade solicitada



Motivo:

* nem precisa aplicar (era só para planejar), mas percebeu que não sabia o 

que era sistematização, que no dia-a-dia não faz planejamento, que é possível 

fazer   registros   que   vão   contribuir   mais   tarde   na   avaliação   processual   do 

aluno;

Ações

* estudo da parte teórica;

* planejar a aula;

* fazer anotações no diário de classe;

* avaliar cada aula;

* observar;



Qual a finalidade dessas 

ações?

* coletar mais dados para a avaliação geral;

* perceber a caminhada do aluno;

* fazer a folha do aluno e anotar tudo;

* avaliar com mais precisão o nível do aluno - sua aprendizagem;

* economia de tempo ao final dos trabalhos para elaborar os pareceres 

avaliativos de cada aluno;

Operações

* registros,

* trabalho em sala de aula com os seus alunos, 

Condições

* a própria situação de aprendizagem deu as condições para essa caminhada

 

Nessa situação de estudo, a professora-aluna percebeu um novo sentido para a avaliação 



pois, ela ficava mais centrada na prova final, na avaliação final para comprovar o que seus 

alunos    sabiam   e, dessa forma não percebia  o desenvolvimento do aluno em termos  de 

coordenação, percepção e outras coisas que também fazem parte e compõem o processo de 

aprendizagem nessa faixa etária (séries iniciais). Segundo ela: “percebi que eu deixava muita 



coisa para traz, muitas coisas que a criança revelou durante uma atividade, comentários que 

fez que realmente demonstram a aprendizagem e que para mim não eram relevantes naquele 

momento”. Comenta que guardava seus planejamentos e seguia os mesmos no ano seguinte, 

só que agora percebe que mesmo guardando  “pilhas e pilhas de atividades”  não consegue 

usar as mesmas coisas por que as “turmas tem interesses diferentes, os alunos são diferentes, 

o momento é outro”. Seus planejamentos contemplam a interdisciplina: “Procuro colocar 

tudo   nas   atividades”   (...)   “Algumas   disciplinas   despertaram   a   gente   para   ver   essas 

1


possibilidades”.  Ensinou seus alunos   fazerem  uma  análise crítica,  aprender a solucionar 

problemas   e   segundo   ela  “isso   eu   aprendi   no   curso”(...)“eu   vi   nos   meus   alunos   um  



crescimento maior, eu acho eles agora extremamente críticos”(...)“antes eu dava a resposta, 

depois que comecei a fazer o curso, não”.

Percebemos   nessa   professora   uma   mudança   de   postura   pois,   antes   não   deixava   os 

alunos falarem pois senão, “não vou conseguir dar minha aula”. No entanto, “agora eu me 

surpreendo com a forma como eles pensam” (...) “estou conhecendo a opinião deles, eles 

estão   aprendendo   e   eu   estou   aprendendo”.  Perceber   essa   mudança   na   sua   prática   e 

reconhecer a mudança que isso traz para os seus alunos e para a sua profissão consiste numa 

atividade que tem um novo sentido para essa professora. Enfim, que melhorar a sua prática 

vale a pena.

Situação de estudo 2:

Situação de Estudo realizada no curso de Graduação a Distância – atividades interdisciplinares de música, 

teatro, artes visuais, contar histórias



Necessidade: desenvolver projetos de aprendizagem interdisciplinar

Motivo:

*     mudar a sua prática pedagógica na forma como trabalhava os projetos

* possibilidade de renovação e atualização,

* não se acomodar naquilo que a escola “obriga” 



Ações

* estudo da parte teórica; leituras, pesquisas, planejamento,



Qual a finalidade dessas 

ações?

* desenvolver atividades para os alunos partindo do interesse deles;

* desacomodar um pouco a sua prática que estava cristalizada em trabalhar 

as mesmas atividades todos os anos;



Operações

* criar atividades que contemplassem música, teatro, dramatizações de forma 

interdisciplinar 

* registros,

* trabalho em sala de aula com os seus alunos, 

Condições

* a própria situação de aprendizagem deu as condições para essa caminhada

Essa   professora-aluna   citou   como   situações   que   geraram   mudanças   em   sua   prática 

tarefas que propunham trabalhos interdisciplinares nas disciplinas envolvendo música, teatro, 

história, artes visuais. Essas possibilidades foram vivenciadas em cada uma das disciplinas 

citadas acima e assim percebeu que poderia fazer um trabalho interdisciplinar independente 

do conteúdo que estava sendo trabalhado com sua turma de sala de aula na forma de projetos 

de aprendizagem. Usa músicas e dramatizações para contemplar o que está sendo trabalhado 

de forma mais prazerosa e incorporou um trabalho de matemática que parte de atividades 

1


concretas com materiais concretos acrescentados de cantigas, histórias, desenhos...o que mais 

mexeu   com   a   prática   dessa   professora-aluna   foi   perceber   as   possibilidades   do   trabalho 

interdisciplinar e as riquezas que isso traz para a aprendizagem dos seus alunos. “Seguir igual 

a   todos   é   mais   fácil     e   menos   trabalhoso”.   No   entanto,   ela   percebeu   que   no   curso   de 

graduação estavam sempre  falando em partir do interesse do aluno, investigar com ele e 

discutir as possibilidades de trabalho: “se eu estou aprendendo tanta coisa diferente, por que 

eu vou trabalhar sempre com a mesma atividade?” E continua, “eu não gostava de fazer 

igual, mas acabava fazendo igual”. A partir dos conhecimentos adquiridos  no curso, das 

atividades propostas e das reflexões constantes sobre a prática essa professora mudou sua 

postura perante o grupo de trabalho na sua escola. Hoje tem argumentos para defender sua 

posição e o medo foi substituído pela segurança. “quanto menos eu souber, menos eu vou 



fazer”. A segurança é estabelecida através dos conhecimentos teóricos trabalhados no curso, 

que   dão   a   base   para   essa   reflexão   e   os   argumentos   para   sustentar   a   forma   como   está 

trabalhando a sua prática pedagógica. O repertório de atividades práticas oferecidas pelo curso 

motivaram essa professora a ampliar o seu leque, criar e adaptar as atividades conforme as 

turmas. Assim,  ela não se contenta mais em fazer a mesma atividade todos os anos pois sabe 

da existência de outras possibilidades que podem melhorar ainda mais a aprendizagem de 

seus alunos. O interesse dos alunos pelas suas atividades e pela sua aula também geram a 

necessidade dela estar sempre criando novas coisas. Isso ajuda muito na sua auto-estima como 

professora pois, relata que seus alunos não gostam de feriados e nem do final de semana 

sendo que, isso faz com que demore para eles terem aula novamente. Percebe que, com suas 

atividades os alunos também gostam muito de participar de suas aulas. Relata também, que 

não sabia fazer projetos e por isso acabava fazendo igual aos demais  professores de sua 

escola. Sua prática pedagógica tem um novo sentido, pois percebe o quanto suas ações podem 

fazer a diferença na aprendizagem de seus alunos.

As   atividades   de   estudo   por   meio   dos   recursos   disponíveis   pelas   tecnologias   de 

informação e comunicação podem promover mudanças e oferecer novas possibilidades na 

formação profissional dos professores? A formação do professor, segundo Nevado (2004), 

“precisa ser realizada a partir de sua experiência de vida profissional, para que ele possa 

conservar tudo o que lhe parece válido e passe a incorporar a inovação buscando transformar 

sua prática de modo significativo [...] O uso da tecnologia deve preparar o próprio professor 

para viver a experiência de mudanças no ensino que ele irá proporcionar a seus alunos” (p. 

1


79). Fazendo essas relações, as atividades de estudo desenvolvidas em um curso de  formação 

de professores pode potencializar motivos que geram sentido para a atividade profissional. 

Foram esses os motivos mais relacionadas com o desenvolvimento da situação de estudo: 

quando a situação solicitava reflexão sobre a prática pedagógica.

A partir dessas situações de estudo, elencamos algumas ações  que fazem parte do 

curso de graduação a distância que potencializam a construção da atividade não como uma 

mera habilidade mas sim, como uma construção de atividade que signifique que o sujeito vai 

estar apto a enfrentar situações novas, não previsíveis e para tal, vai desenvolver uma atuação 

profissional condizente. 

Instigar os alunos a novas pesquisas, buscar novas aprendizagens e novos caminhos - 

isso significa  que existe  um planejamento  para as  aulas, mas  ele não é fechado  nem 

formatado em caixas pretas. Existe direcionamento por parte de professores e tutores, mas 

oferece a possibilidade do aluno construir seus próprios caminhos  também;

Demonstrar ao aluno que você se importa com a aprendizagem dele -  isso faz com que 

o aluno sinta que ele é importante e que a sua aprendizagem é fundamental para o sucesso 

de todos; 

Firmeza   do   professor   -   provoca   novos   conhecimentos   mas   também   é   cúmplice   da 

caminhada de seu aluno – dessa forma, o aluno não se sente sozinho, pelo contrário, 

coloca que ao sentar para trabalhar em frente ao seu computador, é como se de um lado 

estivesse sentado com ele o professor e do outro o tutor – acompanhamento de perto é 

fundamental para que o aluno fique engajado com a formação;

Desperte um sentido pessoal no aluno - Professores e tutores fazem com que  o aluno 

através de suas reflexões criticas percebam a importância de levar a formação até ao final, 

através das relações estabelecidas entre teoria e prática, além disso, um astral positivo e 

um olhar de importamento com o aluno  levam-no a querer permanecer;

Atividades interdisciplinares -  nada é aleatório -  uma atividade de uma disciplina se 

encaixa com as outras -  isso dá sentido para a mesma e faz com que percebam as relações 

entre os conhecimentos teóricos trabalhados no curso;

Conhecimento   teórico   aprofundado   –   alunos   trabalham   as   obras   principais   com   um 

aprofundamento crítico sobre as teorias pedagógicas, epistemológicas e psicológicas  e a 

partir   disso   exprimem   suas   reflexões   a   cerca   da   sua   prática   e   também   da   sua 

aprendizagem;

1


O conhecimento teórico dá o embasamento necessário para agir em situações inusitadas 

durante a sua prática docente pois, com o conhecimento sentem-se mais seguros para 

tomar certas decisões e agir;  se permitir por em prática aquilo que aprenderam assumindo 

os  riscos, as  possibilidades  e os  avanços  na aprendizagem  de seus  alunos    perante  a 

comunidade escolar;

Reflexão e auto-critica semanal sobre atividades significativas desenvolvidas no curso 

de graduação ou em sua sala de aula.

 

Percebe-se até o momento que as atividades desenvolvidas exigem deles uma relação 



de   autonomia   (autonomia   no   sentido   de  tomar   decisões,   saber   coordenar   diferentes 

perspectivas sociais com o pressuposto do respeito recíproco) e que geralmente elas atendem 

uma exigência particular, ou seja, o motivo está relacionado com a prática pedagógica. Isso 

faz com que a situação de estudo dada como um pré-requisito para a necessidade se torne uma 

atividade desenvolvimental pois não se torna apenas uma aplicação de tarefas que o professor 

leva para a sua sala de aula. A situação de estudo traz consigo ações de leitura, interpretação, 

reflexões,   análises   que   fazem   com   que   os   professores-alunos   tenham   motivos   para 

desenvolver não só a situação de estudo dada, mas repensar a sua própria prática e ver as 

possibilidades de mudança, de saber agir em novas situações e reconhecer que a sua mudança 

influencia   diretamente na aprendizagem de seus alunos. Ou seja, a maioria das atividades 

buscam fazer as relações com a prática profissional do professor, refletir sobre a sua ação 

pedagógica proporcionando novas formas de intervenção na aprendizagem dos seus alunos. 

  Dessa forma,  as ações  que compõem  essas  atividades  de estudo tem um sentido 

racional para o sujeito compreender para que a sua atividade se orienta – (motivo de realizá-

la). Os professores aprendem o saber fazer em atividades que satisfazem as suas necessidades.

Percebemos   também   que   os   professores-alunos   dão   um   significado   social   para   a 

atividade pedagógica, ou seja, criam condições de ensino que possibilitam aos seus alunos se 

engajarem em atividades de estudo – garantindo aos mesmos a apropriação do conhecimento 

através de recursos informatizados. Um exemplo disso, foi a proposta de um dos professores 

aos   seus   alunos   do   ensino   fundamental   (4°   ano)   para   desenvolverem   um   Portfólio   de 

Aprendizagem na sala de aula. O trabalho no laboratório de informática na construção do PA 

teve outro significado para os alunos desse professor, que consideravam a Internet apenas 

1


com um lugar para jogos. Ao final, os alunos relataram que a sala de informática era uma 

biblioteca sem livros (no papel) mas, que oferecia uma grande possibilidade de pesquisa. 

Ao entender o caráter dessas ações, seus objetivos e condições podemos compreender 

melhor o trabalho do professor e sua formação profissional, uma vez que aborda a natureza e 

a estrutura da atividade humana, a relação entre atividade de estudo, atividade de ensino-

aprendizagem e desenvolvimento humano. Possibilita compreender a formação profissional a 

partir de suas ações e operações no contexto das atividades de estudo, compreender quais são 

seus motivos e necessidades e como isso está interferindo em sua atuação, no seu quefazer 

docente e na inovação de sua prática. Conforme, Imbernón (apud CUNHA, 1999, p. 217), “a 

inovação na prática se dá quando a pessoa que a executa reflete e interioriza o processo como 

próprio, extrai conclusões sólidas, planeja  ação e é capaz de de levá-la a cabo estabelecendo 

elementos de nova reflexão e inovação”.  As atividades de estudo mediadas pelo AVEA na 

formação desses professores está possibilitando esse tipo de inovação pois, inovar não é só 

trocar o quadro verde pela tela do computador. 

De  acordo   com  a   teoria   da  atividade,   quando  não  ocorre   a  correspondência  entre 

sentido pessoal e significado social as ações pedagógicas tornam-se sem sentido, acabam em 

operações   automatizadas   que   ocupam   o   tempo   designado   ao   processo   de   ensino-

aprendizagem. Portanto, criar condições para assegurar o significado pessoal nas atividades 

de estudo para que elas se tornem fonte de  auto-desenvolvimento psíquico e intelectual, da 

sua personalidade e formas de participação ativo-critica pode criar um novo rumo no quefazer 

pedagógico  e recuperar a dimensão  do desejo e da firmeza  que o seu trabalho  enquanto 

professor vale a pena. 



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASBAHR, Flávia da Silva Ferreira. A pesquisa sobre a atividade pedagógica: contribuições 

da teoria da atividade. Revista Brasileira de educação. n. 29, p. 108-118, 2005. Disponível 

em< 


www.scielo.br/pdf/rbedu/n29/n29a09.pdf

> Acesso em: 08 de jul  2009.

BERNARDES,  Maria  Eliza   Mattosinho.  Mediações   Simbólicas  na  Atividade   Pedagógica: 

Contribuições   do   enfoque   Histórico-Cultural   para   o   Ensino   e   a   Aprendizagem.   Tese 

(Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.

CUNHA,   Maria   Isabel.   Trabalho   Docente   e   Ensino   Superior.   In:   Trabalho   pedagógico: 

Realidades e Perspectivas. RAYS, Osvaldo alonso (org.). Porto Alegre: Sulina, 1999.

1


DAVIDOV, Vasili. La Enseñanza Escolar y el Desarollo Psíquico: Investigación psicológica 

teórica y experimental. Moscu: Editorial Progresom, 1988.

DAVIDOV, V.; MÁRKOVA, A. La concepción de la actividad de estudio de los escolares. 

In: DAVIDOV, V; SHUARE, M. (Org.). La psicología evolutiva y pedagógica en la URSS 

(antologia). Moscou: Progresso, p. 316-336, 1987. 

GOLDER, Mario (org.). Leontiev e a psicologia histórico-cultural: um homem em seu tempo. 

Tradução de Célia Ramos. São Paulo: Xamã, 2004. 

GUERRERO   SÉRON,  Antonio.   La   construcción   social   del   magistério:   orígenes   sociales, 

trayectória academica y motivaciones. Revista de Educación, nº 306, p. 127-152, 1996.

LEONTIEV,   Alexis.   O   Desenvolvimento   do   Psiquismo.   Lisboa:   Horizonte   Universitário, 

1978a.

LEONTIEV, Alexis. Atividade, Consciência e Personalidade. (1978b) Disponível em <



http://

www.marxists.org/portugues/leontiev/1978/activ_person/index.htm

>.   Acesso   em:   20   jul. 

2008.


LIBÂNEO, José Carlos. A aprendizagem escolar e a formação de professores na perspectiva 

da psicologia histórico-cultural e da teoria da atividade. In. Educar em Revista, n. 24, p. 

113-147,

 

editora



 

UFPR,


 

2004.


 

Disponível

 

em 


<

http://calvados.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/educar/article/viewArticle/2211/0

>.   Acesso   em: 

10 dez 2005.

NEVADO, Rosane Aragon de. Novos Possíveis na Formação de Professores. In: Informática 

na Educação: Estudos Interdisciplinares. FRANCO, Sérgio R. K. (org.). Porto Alegre: Editora 

da UFRGS, 2004.

RENSHAW, Peter D. A teoria sociocultural  de ensino-aprendizagem:  Implicações  para o 

currículo no contexto australiano. In Cadernos Pedagógicos. Agosto, nº 18. Porto Alegre: 

Secretaria Municipal de Educação, 1999.

SFORNI,   Marta   Sueli   de   Faria.   Aprendizagem   Conceitual   e   Organização   do   Ensino: 

Contribuições   da   Teoria   da   Atividade.   2003.   157f.   Tese   (Doutorado   em   Educação)   -  

Universidade de São Paulo, Faculdade de Educação, São Paulo, 2003.

VYGOTSKY,   Lev   Semenovich.   A   formação   social   da   mente:   o   desenvolvimento   dos 

processos psicológicos superiores. 6. ed. São Paulo: Livraria Martins Fontes Editora Ltda, 

1998.


1

Download 129.39 Kb.

Do'stlaringiz bilan baham:




Ma'lumotlar bazasi mualliflik huquqi bilan himoyalangan ©fayllar.org 2024
ma'muriyatiga murojaat qiling